ADOLESCÊNCIA, automutilações e suicídio…

É o meu corpo! É a minha vida!

A adolescência é uma etapa da vida que cada vez mais se prolonga no tempo, que resulta de uma transformação intensa da criança num jovem adulto. Há uma busca/ procura de uma matriz identitária própria e o adolescente “constrói-se” na relação com o(s) outro(s).

Como todas as fases da vida, também é marcada por avanços, recuos, dúvidas, certezas, mas tudo é vivido com uma vergonha de sentires exacerbados, encerrados muitas vezes sobre si, com angústias que se exteriorizam sob a forma de agressões hetero ou autodirigidas. Os comportamentos autodestrutivos e, em particular, as automutilações, assumem, na adolescência, um significado próprio “de corte” com o defraudar de expetativas da existência do outro na vida e um desejo de independência-limite: É o meu corpo! É a minha vida!

A prevenção do suicídio é muitas vezes possível, sobretudo se tivermos um olhar atento sobre a sucessão tipificada de momentos que o precedem: ideação suicida, tentativas falhadas de suicídio.

Sabemos hoje que os comportamentos autodestutivos são chamadas para a realidade (não de atenção!) do sofrimento adolescente. Normalmente as tentativas de suicídio são os mais importantes preditores do suicídio consumado, o que nos obriga, enquanto técnicos de saúde mental, pais e outros agentes sociais a uma reflexão imediata sobre o seu significado.

O suicídio entre jovens tem um perfil de causas? Existem idades mais críticas?

 

Segundo Carlos Braz Saraiva, psiquiatra, responsável pela Consulta de Prevenção do Suicídio dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), que publicou a obra “Estudos sobre o para-suicídio – O que leva os jovens a espreitar a morte”, os jovens que tentam suicidar-se têm idades entre os 15 e os 24 anos, são maioritariamente raparigas e são “doentes, vulneráveis, com dificuldade em lidar com situações de stress” e o seu estado, “muitas vezes, não é valorizado no contexto da relação médico/paciente”.

 

 

O suicídio entre jovens tem hoje que os comportamentos autodestutivos são chamadas para a realidade (não de

um perfil de causas? Existem idades mais críticas?

 

Segundo Carlos Braz Saraiva, psiquiatra, responsável pela Consulta de Prevenção do Suicídio dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), que publicou a obra “Estudos sobre o para-suicídio – O que leva os jovens a espreitar a morte”, os jovens que tentam suicidar-se têm idades entre os 15 e os 24 anos, são maioritariamente raparigas e são “doentes, vulneráveis, com dificuldade em lidar com situações de stress” e o seu estado, “muitas vezes, não é valorizado no contexto da relação médico/paciente”.

 

Todas as tentativas de suicídio e todas as mortes não são em vão.

 

O desespero está sempre a montante. Acontece é que nós andamos muito distraídos e achamos que a adolescência é a altura dos “exageros”……

Criem um perfil nas redes sociais, vejam o que o vosso filho/a publica. Muitas vezes, os adolescentes vêm a público – por exemplo, através das redes sociais – falar (ou escrever) sobre os seus pensamentos mais negativos.

Sem alarmismos, mas com a assertividade necessária é importante que os pais estejam atentos a todos os sinais. Os sites que consultam…e outros sinais…Abram as portas da sua casa aos encontros do seu filho/a com os seus amigos e “mantenham a distância de segurança”… Não desistam de comunicar, mesmo quando dia após dia a resposta dos vossos filhos é sempre um “Não sei”, “Não me lembro”, “Não sei explicar”…

Abracem, beijem, e não perguntem, mantenham-se ao lado, sem dizer uma palavra…pode ser que mesmo que não haja a coragem do vosso filho dizer tudo, diga alguma coisa…”Tenho medo…”, “Não gosto de mim…”…

 

 

– Como atentar em eventuais sinais de alerta?

O suicídio resulta de uma complexa interação entre fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociológicos, culturais, e ambientais. É possível, porém, salientar, com base na literatura existente, alguns fatores/situações de risco mais elevado. O Núcleo de estudos do Suicídio – Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria na sua página referencia:

  • Depressão, melancolia, grande tristeza, desesperança e pessimismo (falar muito na morte, tudo parecer negativo, perdido, …);
  • Insucesso escolar (por ex. por parte de quem era antes aluno interessado);
  • Apatia pouco usual, prostração, falta de apetite;
  • Perda de interesse em actividades anteriormente tidas como agradáveis;
  • Insónia persistente, ansiedade ou angústia permanente;
  • Abuso de álcool, droga ou fármacos;
  • Grande impulsividade, agressividade;
  • Dificuldades de relacionamento e integração na família ou no grupo;
  • Afastamento ou isolamento social;
  • Dizer adeus, como se não o(a) voltássemos a ver;
  • Oferecer objectos ou bens pessoais valiosos.
  • Dificuldades de concentração;
  • Alterações drásticas de comportamento
  • Mudanças nos hábitos alimentares (e/ ou mudanças significativas de peso);
  • Negligência da aparência pessoal;
  • Baixa auto-estima e/ ou comentários auto-depreciativos.

 

Quais os factores protectores?

Entre os fatores de proteção encontram-se o bom relacionamento familiar, os cuidados parentais preservados, o apoio familiar, as relações de confiança (fatores familiares); as boas habilidades sociais, a iniciativa no pedido de ajuda e de conselhos, a noção de valor pessoal, a abertura para novas experiências e aprendizagens, as estratégias comunicacionais desenvolvidas, a receptividade à ajuda de terceiros, a noção e empenho em projetos de vida (estilo cognitivo e personalidade); os valores culturais, o lazer, a prática de atividade física, as boas relações com amigos e colegas, o apoio de pessoas relevantes e amigos que não apresentem comportamentos aditivos (fatores culturais e sóciodemográficos); uma dieta saudável, a boa qualidade do sono (fatores ambientais) (WHO, 2002 citado por Werlang, Borges e Fensterseifer, 2005).

 

– Como lidar com as ameaças?

  • Dialogar com os jovens acerca dos seus problemas.
  • Ajudar as famílias (e se possível os amigos) de jovens que se suicidaram.
  • Identificar os grupos de alto risco – idosos, alcoólicos, toxicodependentes, jovens com comportamentos perigosos, etc.
  • Ajudar as pessoas em situação de (alto) risco – com claros traços depressivos, “comportamento estranho” continuado e fora do habitual, forte ideação de morte, tentativa de suicídio anterior, etc.
  • Estudar os factores precipitantes.
  • Multiplicar e divulgar as linhas telefónicas que garantam o anonimato.
  • Nos serviços de saúde criar “serviços de porta aberta”, de atendimento permanente.
  • Nas escolas criar dispositivos próprios, gabinetes de saúde, com psicólogos, enfermeiros, que atuem com prontidão e encaminhem alguns jovens para as estruturas adequadas.
  • É fundamental o papel da Escola na Prevenção – o que passa, em muito, pela atenção (face a Sinais de Alarme) e pela “disponibilidade para ouvir” e dialogar por parte dos professores, dos funcionários, da Direção com os seus alunos.

 

Uma família e uma comunidade educativa que encara a ideação suicida de um adolescente como um desafio para resolver em conjunto, com uma comunicação clara e com confiança em cada um dos seus elementos, consegue com os profissionais adequados reduzir pensamentos suicidas.

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