Quando os pais bem intencionados não ajudam

Por mais que os pais considerem que já estavam a prever que os acidentes fossem acontecer, e por mais que tenham chamado à atenção, correm imediatamente para amparar os filhos durante o choro…Será que o que dizemos nesta altura é suficientemente “reparador” e ajuda a superar a angústia do que se passou? Será que a sabedoria da previsão dos acontecimentos é sabedora das implicações daquilo que se diz após estes ocorrerem?

 

 

Uma bola que salta pela sala e quebra a jarra centenária da família, um brinquedo que se parte, um pesadelo que faz acordar em sobressalto, a constipação pela recusa em usar um casaco num dia frio, o não querer cumprimentar a família, uma brincadeira de irmãos que “dá asneira”, a água que se entorna sobre a comida… Todos estes acontecimentos “exigem”, por parte do adulto cuidador, um comentário ou um gesto “que funcione” e não traga consequências mais “nefastas”.

 

Reflita sobre o “outro lado” daquilo que a maioria dos pais bem intencionados e preocupados dizem, reconsidere e pondere alternativas:

 

– “Não te preocupes” ou “Não chores”: quando os pais optam por usar estas expressões querem genuinamente aliviar a tensão dos filhos e fazer com que eles se sintam melhor, no entanto transmitem-lhes que o que aconteceu não é verdadeiramente preocupante (quando é) ou que não é verdadeiramente assustador (quando é). Ora o melhor é ensinar experiência negativa, após experiência negativa a lidar com os sentimentos e emoções que se desbloquearam e perceber como vamos lidar com eles: “Respira fundo…Tenta explicar-me o que aconteceu…Vamos pensar juntos o que podemos fazer para te sentires menos preocupado/a ou com menos medo…Podem ser boas alternativas.

 

– “Não sejas tímido/a ou “Não tenhas vergonha”: quantas vezes nós tentamos encorajar os nossos filhos a cumprimentar uma pessoa amiga, ou a participar numa brincadeira dizendo para ultrapassar a sua “timidez”?… Quando nós dizemos que os nossos filhos “são tímidos” eles agirão como as crianças tímidas ou envergonhadas agem: escondem-se, enrolam-se nas nossas pernas… Aprendem que os pais acham que eles são tímidos e não têm recursos para lidar com esta “suposta timidez”. Porque não prepara estas situações em casa, com dramatizações? Porque não promove o encontro com pessoas desconhecidas nos ambientes mais seguros da criança? Acima de tudo, não force um cumprimento e combine com o/a seu/sua filho/a o que é razoável negociar; se a criança se sente mais à vontade com um “olá” sem beijo, pois já um uma grande “vitória”…

 

Todas as frases começadas por “Viste?” ou “Eu disse-te!”: nenhum adulto gosta de ter as suas falhas “amplificadas” por uma voz de alguém mais experiente que lhe “dá uma lição”… A criança também não! A sua “lição” será mais ouvida ou tida em conta se pedir à criança que lhe explique o que achou do que aconteceu….Afinal a experiência foi e será sempre a “professora do dia”…

 

Quanto mais nós conhecermos as reações dos nossos filhos ao que dizemos, maior vai ser o nosso sucesso em prestar a ajuda que eles realmente necessitam…Existirão sempre crianças explicitamente muito preocupadas e angustiadas, que choram com facilidade e que parece-nos que qualquer palavra ainda piora a sua angústia e existirão sempre outras que “escondem” as suas emoções através de uma “despreocupação excessiva”, mas que não deixam depois de, no final do dia, no beijinho de boa noite, falar sobre o que se passou e darem o devido peso à experiência…

 

Ninguém conhece melhor as suas crianças dos que os seus pais…

 

O projeto cinemasemconflitos.pt ajuda os pais a terem ainda mais confiança nas suas práticas parentais positivas…Afinal pais que se sentem mais capazes, ajudam as suas crianças serem mais felizes e seguras!…

 

Comentar