Psicocódigo: Ser Criança

Desenvolvimento da inteligência emocional das crianças

A discussão entre o “QI” e o “QE

Quando falamos na ajuda às crianças, depressa nos apercebemos da importância dos seus códigos, do poder que a imaginação e fantasia têm para elas e de uma ajuda que é em tudo diferente da ajuda a um adulto.
Na verdade, não é comum uma criança em idade pré-escolar dizer: “Estou muito triste e isolada dos meus amigos. Acho que estou deprimida e preciso de ir ao psicólogo!”…Daí que seja necessário os adultos cuidadores estarem atentos à externalização dos sintomas e à forma como o mal-estar psicológico é traduzido em comportamentos e “mensagens-código”.

Não quero passar uma mensagem de alarmismo ou perigo iminente, até porque a maior parte dos problemas das crianças é resolvida por elas, na hora, com um empurrão, ou um pontapé, ou tirando o brinquedo preferido do amigo, dado que este mesmo amigo já o tinha feito…Para além disso, ninguém conhece melhor as suas crianças do que os pais, por isso, reina o bom senso e principalmente impera a genuinidade e a intuição dos cuidadores mais próximos.
No entanto, “esgotados” alguns recursos, e quando estamos perante pais desgastados e sem energia para desenvolver criativamente mais alternativas para que o filho/a supere “aquele entrave” ao seu desenvolvimento harmonioso, aparece o/a psicólogo/a!…

Normalmente como “a ajuda que funcionou” com o filho/a do/a colega de trabalho, ou psicólogo/a da escola, ou mesmo porque aparece o nome de alguém num folheto como sendo “especialista na ajuda psicológica na infância ou na adolescência”… (tudo está na forma como esta ajuda chega à nossa criança, independentemente dos “meios”).
Ajuda que é ajuda não pode ter bata branca, nem aparelhos médicos visíveis (mesmo quando os psicólogos têm uma série de constrangimentos por darem consultas em centros médicos, mais vale a “sala de espera”)… Ajuda que é ajuda deve ter cores, plasticinas e histórias, deve ser prestada no tapete ou na cadeira (conforme o gosto mais criativo), inclui todas as informações sobre as “princesas” ou sobre jogo mais badalado… E acima de tudo deve atender ao poder das metáforas expressas pelos sintomas, constituindo o ponto de partida para delinear estratégias indiretas de ajuda. 
Assim, quando falamos na ajuda psicológica a crianças temos que perceber que o sintoma é a metáfora de outro problema a que devemos, na nossa intervenção estar atentos. Ou seja, na prática, o papel do adulto que ajuda a criança ou adolescente é o de descobrir o significado do sintoma, que é visto como sendo a expressão metafórica do processo em que o sistema está envolvido.

Portanto, aqui visa-se perceber o significado do roer as unhas, do chorar, do gritar, do não querer dormir sozinho no seu quarto, do ter medo do escuro, do não querer ir para a escola, da “amiga-fada” que tem medo de voar, ou do “menino-super-herói” que tem mais “super-poderes” do que os outros (entre outras manifestações dos problemas). Trata-se pois de traduzir o analógico para o digital, para que assim se possa intervir, ajudando os pais a ajudar a criança ou o adolescente.
A possibilidade de incluir uma abordagem sistémica, nas consultas de psicologia ou nas aulas de cada professor/educador com crianças, possibilita ter uma visão mais alargada e ecológica sobre o indivíduo e sobre as suas relações com o seu ambiente circundante.

Importa o que a criança aprecia e o que são os seus “pontos fortes”, orientando a intervenção para objetivos, permitindo saber o que se está a fazer, avaliar o que se planeou e mesmo reformular o que se planeou.

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