Tópico: Família

Os Meus, Os Teus E Os Nossos…

O Desafio De Uma Família Reconstituída

“- Não és meu pai!”- Grita uma voz do fundo do corredor, ao mesmo tempo que ecoa na memória de um coração de pai, que já o é sem o ser, uma frase dita há muito tempo: “- Posso tratar-te por pai?”…

Quando há a decisão de reconstituir uma família, a partir de elementos que compuseram outra que não aquela, falamos em Família Reconstituída. Se há filhos de anteriores uniões que, pela nova união de outro casal, passam a formar uma nova família, que até pode ter mais filhos desta nova união, temos um desafio para toda uma vida…
Este desafio familiar torna-se mais fácil se o padrasto ou a madrasta minimizarem o conflito interior que a criança, adolescente ou jovem sente face a dois elementos tão importantes na sua vida (tendo em conta que o “novo pai” ou “nova mãe” gostam genuinamente deles), não tentando assumir a figura do progenitor ausente naquele agregado familiar. Na realidade, não poderei ter dois pais ou duas mães, mesmo que só viva na casa de um deles? 

Cabe aos adultos a responsabilidade de cuidar e pacificar… Cuidar dos “espaços” individuais, dar os “espaços” de gestão dos “ex” sem julgar, respeitar os tempos de gestão de conflitos da família “anterior” e esperar…Esperar pelo luto da família passada com a preservação das pessoas que não “morreram”, mas que habitam em espaços diferentes, em realidades completamente distintas…

Uma família reconstituída é uma oportunidade de mudança para todas as partes que desejam viver nela… Todos os momentos mais difíceis são oportunidades de crescimento, porque afinal abrir as portas do coração a um filho que não é o nosso é um grande desafio, que será tanto melhor sucedido quanto maior a entrega e a disponibilidade para respeitar e negociar tempos e vontades…

 

 

 

Comentar